quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Projeto do Arquivo Histórico Regional/UPF e do Instituto Histórico de Passo Fundo é um dos vencedores do Prêmio Funcultura

“Museu a céu aberto: turismo, educação e cultura” receberá recursos do Funcultura
O projeto “Museu a céu aberto: turismo, educação e cultura”, com ações que envolvem o Cemitério Vera Cruz, promovido pelo Instituto Histórico de Passo Fundo (IHPF) e Arquivo Histórico Regional (AHR) e vinculado ao Programa de Pós-Graduação em História da Universidade de Passo Fundo (PPGH/UPF), é um dos vencedores da 3ª edição do Prêmio Funcultura, da Secretaria Municipal de Cultura.
Esse programa de ações tem como propósito maior estimular e promover um novo olhar acerca dos espaços cemiteriais, em específico sobre o Cemitério Vera Cruz, instigando na comunidade a curiosidade e o entendimento desse lugar para além da última morada, mas também como vetor de conhecimento histórico, social e cultural. A ideia é produzir e publicar materiais acadêmico-científicos e de divulgação referentes ao Cemitério Vera Cruz como Museu a Céu Aberto; organizar e promover palestras, debates e passeios guiados no Cemitério; e instalar placas de identificação para a comunidade vivenciar o local como espaço de memória e de turismo cultural.
Em 2014, as equipes do Instituto Histórico de Passo Fundo e do Arquivo Histórico de Passo Fundo iniciaram um programa amplo de atividades concernentes ao Cemitério Vera Cruz. Naquele ano, foi lançada a primeira edição (impressa e digital) do guia de visitação do Cemitério. Desde então, ações são promovidas visando constituir a noção de Museu a Céu Aberto e também instigar o uso do cemitério como local para a educação patrimonial, histórica e cultural na cidade. 
A premiação será entregue em março e, dentre as ações previstas no Programa, estão a publicação de uma obra; o lançamento da segunda versão (atualizada) do Guia de Visitação do Cemitério Vera Cruz; workshops; exposição e visitas guiadas ao espaço cemiterial. O prazo de execução das ações é de 12 meses, a contar da data do recebimento do prêmio.
Sobre o Prêmio Funcultura
São premiados oito projetos das áreas de teatro, música, literatura e eventos culturais no valor de R$ 10 mil cada, totalizando R$ 80 mil para a realização das ações propostas. A promoção do Prêmio Funcultura é da Prefeitura de Passo Fundo, por meio da Secretaria de Cultura.

Laboratório de Estudos das Crenças (LEC) divulga cronograma de encontros

A equipe do Laboratório de Estudos das Crenças (LEC-PPGH) divulga as atividades do semestre. Os encontros são abertos a todos os interessados e não demandam inscrições prévias. 


GRUPO DE ESTUDOS
LABORATÓRIO DE ESTUDOS DAS CRENÇAS
Local: Campus I da UPF -  Sala 229 do IFCH – 16 às 18 horas
Coord.: Profa. Gizele Zanotto
Contato: gizele@upf.br

DATA
ATIVIDADE
14/03
Encontro inicial de organização e agendamento de orientações.
21/03
Luteranos em Lagoa Vermelha/RS - Pastor David Karnopp
11/04
Os lugares de fala e as disputas de memórias em Santa Cruz dos Milagres, Pi. – Dda. Edilene Gonçalves do Nascimento Dias
25/04
Análise do Discurso no estudo das religiões e religiosidades - Dra. Gizele Zanotto
09/05
Imji Getsul: Um homem trans como precursor da experiência monástica budista ocidental – Ddo. Daniel Confortin
23/05
Fontes e metodologias em estudos de catolicismos – Ddo. Anderson José Guisolphi
06/06
O pentecostalismo entre os alemães no Rio Grande do Sul - Ddo. Josemar Valdir Modes
20/06
Teoria e Prática do historiador em arquivos - Ddo. Janilton Fernandes Nunes




sábado, 3 de fevereiro de 2018

1917: EUA rompem com a Alemanha

Em 3 de fevereiro de 1917, o presidente americano Woodrow Wilson rompeu relações com a Alemanha em represália ao anúncio de uma guerra de submarinos feito pelo imperador alemão, que ameaçava navios mercantes dos EUA.
US Präsidenten Amtseinführungen Woodrow Wilson und President Taft (Reuters/Library of Congress)
"Quando eclodiu a guerra, eu estava visitando meu irmão em Meissen. Vi os soldados marchando sobre a ponte do rio Elba, com flores nos capacetes", lembrou o veterano Paul Epstein, de Leipzig. Os soldados foram em clima de festa para as frentes de batalha da Primeira Guerra Mundial, acreditando que voltariam para casa em poucas semanas.
O sonho de vitória rápida das potências centro-europeias – Alemanha e Áustria-Hungria – logo se dissipou. A guerra contra a Tríplice Entente, formada pelo Reino Unido, França e Rússia, terminou num beco sem saída.
Os Estados Unidos, por longo tempo, não intervieram no conflito. Apesar de simpatizarem com a Tríplice Entente, mantiveram-se neutros do ponto de vista militar. Financeiramente, porém, já participavam da guerra, com armas, mantimentos e créditos no valor de nove bilhões de dólares. Os navios que traziam as mercadorias para a Europa eram atacados constantemente.
Em 1917, os EUA declararam guerra à Alemanha, alegando lutar contra o autoritarismo e o militarismo. O pretexto para entrar no conflito ao lado da Entente foi o anúncio feito pelo imperador Guilherme 2º, a 1º de fevereiro de 1917, de que iniciaria uma guerra total com submarinos, ameaçando inclusive afundar sem aviso prévio os navios neutros a caminho dos portos britânicos.
Inverno arrasador
No dia 3 de fevereiro, o presidente norte-americano Woodrow Wilson rompeu relações diplomáticas com o Império Alemão. O gelado inverno de 1917 foi arrasador para a Alemanha. A colheita de batatas caiu à metade e 750 mil pessoas morreram de fome.
Paul Epstein, inicialmente entusiasta da guerra, já não acreditava mais na vitória. "A situação era precária. Quanto mais pessoas eram recrutadas, mais diminuía o número de empregos. A economia estava arruinada", conta. O inverno de fome e as greves na indústria armamentista esmagaram os alemães em seu próprio território.
Quando os EUA declararam guerra à Alemanha, começava a Revolução na Rússia. A aliança formada por Alemanha, Áustria-Hungria, Bulgária e Turquia tentou decidir a guerra na Europa Ocidental antes de os americanos desembarcarem na França. Centenas de milhares de soldados morreram nas trincheiras, sem conquistar um só metro de território inimigo. "Era uma guerra tática. Quem olhasse por cima da trincheira era fuzilado", lembra o veterano Epstein.
A intervenção dos EUA decidiu a Primeira Guerra Mundial. Em janeiro de 1918, o presidente Woodrow Wilson apresentou uma proposta de paz de 14 pontos, que só foi aceita pelos alemães quando a derrota já era inevitável. Em julho do mesmo ano, as forças inglesas, francesas e norte-americanas lançaram um ataque definitivo contra a Alemanha, obrigada a retroceder.
A Bulgária e a Áustria retiraram-se do conflito e a Turquia se rendeu. A Alemanha resistiu sozinha, mas a falta de alimentos causada pelo bloqueio aliado e a precária saúde da população colocaram o país à beira da revolução social. A Baviera proclamou-se república e a sublevação alastrou-se por todo o país, até ser anunciada a abdicação do kaiser, exigida pelos EUA.
O líder social-democrata Friedrich Ebert assumiu o poder e negociou a rendição, assinada a 11 de novembro de 1918. Os quatro anos de guerra (1914-1918) deixaram um saldo de 8,7 milhões de soldados mortos e cerca de 20 milhões de feridos.
  • Autoria Gábor Halász (rw)
  • Link permanente http://p.dw.com/p/1FnA

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Senado da Polônia aprova polêmica lei sobre Holocausto

Legislação prevê até três anos de prisão para quem acusar poloneses de cumplicidade em crimes nazistas e usar expressão "campos de extermínio poloneses". Israel e EUA criticam Varsóvia.
Auschwitz
Na Segunda Guerra, mais de um milhão de pessoas morreram no campo de extermínio de Auschwitz, na Polônia ocupada
O Senado da Polônia aprovou na madrugada desta quinta-feira (01/02) uma polêmica lei sobre o Holocausto, que criminaliza qualquer indivíduo que atribua ao país ou a seu povo culpa por crimes de guerra cometidos pelos nazistas no território polonês. A medida pode abalar as relações com Israel e com os EUA.
A legislação prevê até três anos de prisão ou multa para quem utilizar a expressão "campos de extermínio poloneses", em referência aos campos de concentração erguidos no país pelo regime nazista durante a Segunda Guerra Mundial, exceto em trabalhos de pesquisa ou artísticos. Para entrar em vigor, o texto ainda precisa ainda ser sancionado pelo presidente Andrzej Duda.
A iniciativa, que o governo polonês afirma ter como objetivo "defender a imagem do país", foi duramente criticada por Israel. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, acusou Varsóvia de "querer reescrever a história".
O ministro israelense da Inteligência e Transportes, Israel Katz, acusou Varsóvia de tentar "apagar sua própria responsabilidade" no Holocausto.
"Nenhuma lei pode mudar a história. Nos lembraremos e jamais esqueceremos", disse através do Twitter o parlamentar israelense da oposição Yair Lapid.
Antes da aprovação, os Estados Unidos também protestaram contra a nova lei, expressando "profunda preocupação" com os possíveis efeitos. "Expressões como 'campos de extermínio poloneses' são imprecisas, suscetíveis de induzir a erros e causar feridas, mas receamos que se promulgada, a legislação afete a liberdade de expressão e o debate histórico", disse Heather Nauert, porta-voz do Departamento de Estado americano.
Os críticos da nova lei argumentam que ela pode permitir ao governo negar casos em que a cumplicidade polonesa em crimes de guerra foi provada, assim como pode minar a liberdade de expressão e o discurso acadêmico.
O partido governista Lei e Justiça (PiS), populista de direita, rejeita as críticas. Os conservadores do partido afirmam que está em jogo a defesa da reputação do país e que é necessário corrigir a "linguagem incorreta" muitas vezes utilizada na forma como a história é retratada.
Durante a Segunda Guerra Mundial, mais de um milhão de pessoas morreram no campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau, localizado na Polônia ocupada. Segundo o historiador David Silberklan, do Memorial do Holocausto Yad Vashem, não havia guardas poloneses nos campos situados no país. A Polônia, porém, era permeada por um forte sentimento antissemita, e alguns de seus cidadãos teriam colaborado com os nazistas e assassinado judeus.
Um dos maiores exemplos foi o massacre de 300 judeus pela população cristã-polonesa da cidade de Jedwabne, no leste do país, mas há ainda registros de outros incidentes antissemitas ocorridos no país durante a Segunda Guerra.
RC/lusa/dpa/ap
Fonte: DW Brasil

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Encomenda de camisetas do curso



🤗Camisetas do curso para iniciar bem o semestre 2018.1!

👉Camisetas 100% algodão 
(branca ou preta - mínimo de 10 unidades por cor) R$ 27,00 

👉Camisas polo 50% algodão + 50% poliéster 
(branca ou preta - mínimo de 10 unidades por cor) R$ 46,00

🗓️Encomendas na coordenação do curso até 02 de março, mediante pagamento! O valor final pode variar em alguns reais visto que o orçamento foi feito em janeiro.

OBS: esta venda não visa lucros e foi aprovada pela FUPF.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Período de rematrículas inicia no dia 11 de janeiro

(clique na imagem para ampliar)

A partir do dia 11 de janeiro, acadêmicos poderão fazer sua rematrícula pela intranet e pelo aplicativo Sou UPF
Inicia no dia 11 de janeiro o período de rematrículas para os acadêmicos dos cursos de graduação da Universidade de Passo Fundo (UPF). As rematrículas para o primeiro semestre de 2018 devem ser feitas de acordo com a data e o horário de cada curso indicados pela Instituição e disponíveis na intranet, onde também é feita a rematrícula. O prazo termina no dia 19 de janeiro. O processo também pode ser feito via aplicativo Sou UPF. 
A partir do dia 23 de janeiro, os acadêmicos poderão fazer os ajustes complementares de matrícula, também pela intranet. Confira as datas:
23/01 - 1º turno - Complementação de matrículas para alunos do mesmo curso, independente do turno
23/01 - 2º turno - Complementação de matrículas em todos os curso da mesma unidade
24/01 -  Complementação de matrículas em todos os cursos da Universidade e início de rematrículas em disciplinas eletivas institucionais
Os alunos que estiverem em lista de espera devem ficar atentos para a realização de sua rematrícula. Quando a vaga for aberta, o acadêmico receberá um SMS e um e-mail comunicando a disponibilidade da disciplina e o prazo para efetivação da rematrícula.
Bolsas e créditos
A qualquer momento, os acadêmicos podem solicitar um dos programas de benefício financeiro oferecidos pela Universidade. 
Reopção de curso
Os alunos têm a possibilidade de trocar de graduação, desde que existam vagas disponíveis no curso desejado. 
Informações 
Mais informações podem ser obtidas junto à Central de Atendimento ao Aluno ou pelo e-mail informacoes@upf.br.

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Conselho aprova Base Nacional Comum Curricular

Em meio a polêmicas sobre ensino religioso e esvaziamento do debate sobre gênero, Conselho Nacional de Educação aprova as diretrizes
 

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

O Cinema visto pela História: notas sobre o desenvolvimento de um campo

O século XX foi transformado pelo Cinema e o campo historiográfico não ficou imune. As imagens projetadas pelos cinematógrafos ao redor do mundo criaram uma arte e uma indústria – e uma nova forma de pensar a História.

Por Rafael Hansen Quinsani
Quando o Cinema passou a frequentar a sala de aula, pipocaram reclamações sobre a “concorrência desleal” e o aumento da responsabilidade dos professores, que agora precisavam “corrigir os filmes” que ameaçavam a “História verdadeira”. A ideia de que os historiadores têm o trabalho de expor os fatos do passado, de preferência “como realmente aconteceram” (fórmula famosa – e por vezes mal-compreendida – utilizada pelo historiador alemão do século XIX, Leopold von Ranke)1, obliterou o olhar sobre as formas narrativas, sua constituição e tensões.
Quando se rompe o isolamento da História com o Cinema, contudo, percebemos que o exame do discurso histórico a partir de outras formas narrativas não só levanta questões inquietantes, mas também pode enriquecer o conhecimento do meio acadêmico. Dessa forma, questionamentos sobre a construção do sentido do passado, a constituição visual das sociedades modernas e o relacionamento de múltiplas temporalidades tornam o debate mais complexo e frutífero. Neste artigo, pretendo historicizar marcos da relação História-Cinema, analisando as mudanças que se passaram e as diferentes contribuições para as reflexões do nosso tempo.
A construção da relação Cinema-História
A história cinematográfica foi se constituindo paulatinamente ao longo do século XX, tecendo relações com o campo acadêmico e social. A reflexão sobre o cinema teve início com os seus próprios realizadores, uma tradição filosófica que pode ser caracterizada como formativa, pois não havia precedentes na sua realização. Após a década de 1920, as reflexões começam a valorizar os elementos artísticos do cinema e ampliando a reflexão para além dos elementos técnicos2. Neste momento, vinham do Oriente novas teorias que revolucionariam o pensamento sobre o cinema.
cinema-historia
Cinema e História: uma relação há estabelecida. Foto: Pixabay.
No início do século, a União Soviética (URSS) foi responsável por centralizou análises inovadoras centradas na questão da montagem cinematográfica. O encadeamento de fotogramas se compunha como centro da construção da linguagem cinematográfica, influenciando roteiros, cenários e atuações. Foi Lev Kuleshov o primeiro teórico que sistematizou os fatores constitutivos da teoria da montagem, formulada a partir de observações empíricas sobre a reação da plateia a filmes de diferentes nacionalidades. Mas sem dúvida, o grande nome da teoria da montagem foi Sergei Eisenstein. Seus livros mais conhecidos são A forma do filme e O sentido do filmeEisenstein concebia a cinematografia antes de tudo como montagem. Ele, inclusive, procurava identificar o princípio básico da montagem cinematográfica fora do cinema, como, por exemplo, os elementos que constituem a cultura visual japonesa e a constituição dos hieróglifos da poesia do Haikai.
Em pouco tempo, a ampla penetração do cinema em diversas classes sociais atraiu para si o interesse do campo científico. Retornando para a Europa, o foco se deslocou para o viés realista, que tratou de questionar as posições formalistas. Na França, o crítico André Bazin valorizou o poder das imagens registradas mecanicamente e deu início a uma tradição crítica que seria o berço das futuras reflexões dos anos 1960, como a revista Cahiers du cinema.
Oriundo da chamada Escola de Frankfurt, (corrente de pensadores que articularam uma crítica social a partir do Marxismo e da psicanálise) Siegfried Kracauer (1899-1966) foi um dos mais destacados nomes a trabalhar com o cinema. Sua obra “De Caligari a Hitler: uma história psicológica do cinema alemão” e os vastos volumes de “Theory of Film” foram seminais na divulgação dos estudos sobre cinema. A análise de Kracauer estava ancorada pelo referencial da ideologia, e sua obra “De Caligari a Hitler” busca compreender como os filmes podem representar uma mentalidade coletiva de uma nação tomando como exemplo a Alemanha dos 1930 e a formação do nazismo. Ao registrar aquilo que é da ordem do visível, o cinema permite encontrar uma chave de acesso ao oculto e a uma mentalidade. Estudando diversos filmes alemães, Kracauer buscou demonstrar nos figurinos, nos cenários, na fotografia, na constituição do roteiro elementos que prenunciavam a formação do nazismo na sociedade alemã.
Na década de 1970, por sua vez, o historiador Marc Ferro (1924-) revolucionou a abordagem do tema ao dar início ao que podemos denominar de campo Cinema-História. Sua proposta tinha como eixo uma metodologia e ainda trazia eco da presença da ideologia das análises marxistas ao propor a realização de uma contra-análise da sociedade pelo Cinema. Para Ferro, o filme não é só um produto, mas um agente da história, porque a imagem cinematográfica vai além da ilustração: no seu verso está expressa a ideologia dos realizadores e da sociedade. Constitui-se, então, a contra- análise, que busca desvelar o não visível, os silêncios selecionados pela história e pelo historiador. Na sua proposta, a ideologia encontra-se na base de sustentação do conteúdo apresentado por um filme. Real e ficção se formam e transitam a partir destas bases. A análise do conteúdo aparente de suas imagens e sua crítica a partir do cruzamento de outras fontes permite desvelar o conteúdo latente, a zona de realidade não visível, composta pelos elementos transpostos conscientemente ou inconscientemente pelos realizadores do filme. Também salienta que, além de tornar-se um agente, o cinema também motiva a tomada de consciência histórica, criando uma memória fílmica.
Historiador da Revolução Russa, Ferro não teve em um primeiro momento uma boa acolhida ao querer se dedicar ao Cinema. O historiador francês Fernand Braudel chegou a desestimulá-lo. Entretanto, seu ensaio “O filme, uma contra-análise da sociedade?”, publicado no famoso periódico Annales, lançou as bases de uma revolução.
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Cena do filme “O Encouraçado Potemkin” (1925), de Sergei Eisenstein – Reprodução
Contudo, ainda era uma revolução conservadora, pois a relação Cinema-História foi recortada a partir do lugar disciplinar, e esta operação historiográfica definiu o objeto segundo padrões de pertencimento dos historiadores. Havia o temor, o preconceito e a preguiça de traçar um diálogo com as questões estéticas e os campos que a abordavam. Da ideologia ocorreu um deslocamento para o emprego do conceito de representação, alavancado pelo avanço da História Cultural. Todavia, o conservadorismo ainda marcava fortemente a disciplina histórica e o temor dos elementos estéticos também marcava este novo campo.
Foi ao longo das décadas de 1980 e 1990, e, principalmente, do século XXI, que os elementos estéticos cinematográficos ganharam corpo nas análises realizadas. Como exemplifica o professor Francisco das Chagas Júnior: “Expulsa pela porta, a estética entra pela janela como um espectro que redefine os territórios dos historiadores”.
Contribuições para a sala de aula
Mais recentemente, o historiador norte-americano Robert Rosenstone tem dado grandes contribuições para o aprofundamento do campo e o fomento do debate. Partindo de experiências da sala de aula e da participação na realização de documentários e ficções, Rosenstone aponta que a possível concorrência da visão histórica cinematográfica na busca por alcançar a sociedade é o principal fator para os historiadores temerem o cinema. Um filme narra, explica e apreende acontecimentos individuais, coletivos, sociais, psicológicos e históricos. Seu objetivo é entreter, mas na sua constituição faz uso de argumentos racionais e de todos os ingredientes da vida, das carências de orientação do ser humano.
Portanto, segundo Rosenstone, para além da análise do cinema como atividade artística e do filme como documento, o cerne do questionamento deve partir de como o meio audiovisual pode nos fazer refletir sobre nossa relação com o passado, sendo pensado como uma nova forma de reconstrução histórica capaz de alterar a concepção e o conceito de História que temos. Isso implica aceitar que o cinema pode transmitir o tipo de História com H maiúsculo. “Trata-se de uma questão arriscada, pois mudar a mídia da história significa mudar igualmente a mensagem […] o passado contando por imagens em movimento, não elimina as antigas formas de história”.
Compreender a constituição da narrativa, a importância dos elementos estéticos e as conexões entre razão e emoção torna-se, assim, fundamental para enriquecer o campo teórico, integrar a ciência ao campo social e se pensar historicamente o século XXI. 
Nesse sentido, pesquisas e iniciativas como as do crítico de cinema francês Alain Bergala, que defende a presença da sétima arte nas escolas não só para explorar técnicas de produção e conteúdos curriculares, mas para discutir também questões universais, inserem a educação cinematográfica e a produção de obras como fundamentais para a inovação da educação do século XXI. No Brasil já surgem diversas iniciativas para potencializar a produção cinematográfica na escola. O projeto “Primeiro filme” da produtora Prana filmes realizou diversas oficinas de capacitação com professores e estudantes, inclusive oferecendo material didático e organizando um festival com obras realizadas nas escolas do Rio Grande do Sul. Neste Estado, munícipios como São Leopoldo e Alvorada realizam festivais de cinema com filmes produzidos nas redes escolares.
Avanço nos estudos, mas pouco traduzidas para o português
Pensar a relação Cinema-História como um paradigma permite refletir sobre o próprio meio acadêmico e arejar uma disciplina ainda conservadora. A escrita cinematográfica possibilita uma linguagem capaz de, na sua exposição, fundir dialeticamente a multiplicidade dos tempos históricos, auxiliando os historiadores a ampliar sua capacidade de produzir conhecimento e potencializar sua transmissibilidade.
Nos últimos anos, foram formadas cátedras, disciplinas, linhas de pesquisa relacionadas ao tema em diversas universidades em vários cantos do mundo. Autores como Pierre Sorlin, Michele Lagny, Jorge Nóvoa, Alcides Freire Ramos, Eduardo Morettin realizaram trabalhos fundamentais. Contudo, muitos trabalhos estrangeiros ainda não foram traduzidos para o português. Um exemplo é a obra “Writing history in film, de William Guynn. “Escrever a História em filme”, como apresenta o título (em tradição para o português), implica pensar um novo patamar da relação Cinema-História: a questão da narrativa, da pesquisa e a relação do campo acadêmico com os demais meios de produção historiográficos.
Esperamos que mais obras sobre o tema sejam traduzidas para que enriqueçam nossas discussões e práticas – dentro e fora da sala de aula. Mas neste breve artigo, já deixo um convite para que nós, historiadores, especializados ou não em Cinema, Arte e Cultura, nos aproximemos da cinematografia de temática histórica. E sem medo.

Notas
A ideia de “mostrar o que realmente aconteceu” foi usada por Ranke no livro “História dos povos latinos e germânicos de 1494 a 1514”. Júlio Bentivoglio, no entanto, lembra que Ranke jamais se limitou a produzir uma história factual ou sugeriu que os fatos falassem falavam por si só. Joseph Fontana também defende Ranke, dizendo que “a frase foi tirada de contexto injustificadamente e interpretada como uma declaração metodológica” (In: Lições de História, de Jurandir Malerba). A frase completa é: “A história escolheu para si o cargo de revelar o passado e instruir o futuro para benefício das gerações futuras. Para mostrar aos altos oficiais o que o presente trabalho não pressupõe: ele busca apenas mostrar o que realmente aconteceu”.
2 Já em 1916 Hugo Munsterberg publica a obra The Photoplay: a psychological study. Sua análise divide as observações sobre o cinema entre a história tecnológica e a evolução do uso do cinema.

Referências Bibliográficas
FERRO, Marc. Cinema e História. São Paulo: Paz e Terra, 1992.
GUYNN, William. Writing history in film. New Tork: Routledge, 2006.
JÚNIOR, Francisco das Chagas Fernandes Santiago. Entre a representação e a visualidade: alguns dilemas de relação cinema-história. Domínios da Imagem, Londrina, n. 1, p. 65-78, 2007.
KRACAUER, Siegfried. De Caligari a Hitler: uma história psicológica do cinema alemão. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1988.
LAGNY, Michele. Cine e História: problemas y métodos en la investigación cinematográfica. Barcelona: Paidós, 1997.
MALERBA, Jurandir (Ed.). Lições de história: o caminho da ciência no longo século XIX. EDIPUCRS, 2010.
NÓVOA, Jorge; BARROS, José D’Assunção. (orgs) Cinema-História: teoria e representações sociais no cinema. Rio de Janeiro: Apicuri, 2008.
NÓVOA, Jorge; FRESSATO, Soleni Biscouto; FEIGELSON, Kristian. (orgs) Cinematógrafo: um olhar sobre a História. Salvador: EDUFBA/UNESP, 2009.
RAMOS, Alcides Freire. Canibalismo dos fracos: cinema e história do Brasil. Bauru: EDUSC, 2002.
ROSENSTONE, Robert. A história nos filmes, os filmes na História. São Paulo: Paz e Terra, 2010.
SORLIN, Pierre. Sociología del cine: la apertura para la historia de mañana. Ciudad de México: Fondo de Cultura Económica, 1985.

Rafael Hansen Quinsani é professor, Doutor em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Tem atuação na área de Docência e Pesquisa. Dedica-se a área de Cinema-História, Ensino de História, Teoria e Metodologia, História da América Latina e História contemporânea.

Como citar este artigo
QUINSANI, Rafael Hansen. O Cinema visto pela História: notas sobre o desenvolvimento de um campo. (Artigo) In: Café História – história feita com cliques. Disponível em: https://www.cafehistoria.com.br/cine-historia/. Publicado em: 25 dez. 2017. Acesso: [informar data].

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Publicação sobre mulheres tem capítulo da profa. Marlise Meyrer

Mulheres em Movimento: experiências, conexões e trajetórias transnacionais.
/ Organizadoras: Maíra Ines Vendrame e Syrléa Marques. A divulgação e vendas iniciarão em janeiro.

Sumário
Prefácio .................................................................................. 7
Ana Silvia Volpi Scott
Apresentação ........................................................................13
Maíra Ines Vendrame
Syrléa Marques Pereira
Mulheres e migrações na Itália entre passado e presente ........27
Paola Corti
Olhar-se no espelho. Quando os migrantes eram
toscanas e toscanos ...............................................................51
Adriana Dadà
A emigração das mulheres da Itália entre o 800 e o 900:
alguns estudos de caso na região da Toscana .........................63
Lucilla Briganti
Donas do próprio destino?: Experiências transnacionais
de imigrantes italianas no Brasil Meridional ..........................85
Maíra Ines Vendrame
Maria e la collana. L’emigrazione di una donna dalle
Dolomiti al Brasile .............................................................. 134
Daniela Perco
A presença das mulheres na economia da zona
colonial italiana no Rio Grande do Sul ................................ 208
Vânia B. Merlotti Herédia
Corpos (in)disciplinados em movimento: gênero e etnia
na imigração alemã (sul do Brasil, séculos XIX-XX .............223
Daniel Luciano Gevehr
Marlise Regina Meyrer
6
“Podes vir que aqui estou à tua espera”: Gênero, família
e literatura epistolar (e/imigrantes portugueses
– São Paulo 1890-1950) ....................................................... 251
Maria Izilda Santos de Matos
As mulheres madeirenses nas cartas de chamada
(Brasil, 1893-1925) .............................................................. 274
Nelly de Freitas
Luzes, sombras e (in)visibilidades: francesas e
portuguesas no Rio oitocentista ........................................... 299
Lená Medeiros de Menezes
Migrantes, retornadas ou refugiadas? Memórias femininas
sobre a experiência do deslocamento migratório no
contexto da descolonização da africana ............................... 326
Roseli Boschilia

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Viagem de Estudos ao Distrito de Evangelista – Casca/RS





No dia 09 de dezembro (sábado) parte do grupo do Núcleo de Estudos
Históricos do Mundo Rural (NEHuR) realizaram uma viagem de estudos ao
Distrito de Evangelista – Casca/RS.
O lugar reserva uma culinária típica dos imigrantes italianos, bem como
passeios pelo Museus Luigi Pinzeta, tour rural por cascatas, trilhas ecológicas
todas feitas de trator.

“O Distrito de Evangelista, foi colonizado no início do século XX por
imigrantes italianos vindo das primeiras colônias da serra gaúcha, fazendo
parte então da colônia de Guaporé. Possui relevo colinar a uma altitude média
de 600m, clima temperado e vegetação intermediária entre Araucárias e Mata
Atlântica. Teve grande desenvolvimento entre as décadas de 20 e 50
principalmente com a instalação de várias agroindústrias, comércio e serviços,
porém com a falência do Frigorífico Guaporense houve desesperança para a
população, sendo que posteriormente a este fato ninguém mais investiu na
vila”. (FONTE: http://www.dicolori.com.br/site/index.php/evangelista/)