segunda-feira, 20 de novembro de 2017

“Campos especiais”: a reutilização dos campos nazistas

Poucos sabem, mas as autoridades soviéticas reutilizaram vários campos de concentração e extermínio nazistas após a Segunda Guerra Mundial. Eram os chamados “Campos Especiais”.

Por Rafael Haddad
Uma das temáticas mais sensíveis relacionadas à participação alemã na Segunda Guerra Mundial diz respeito aos Campos de Concentração e Extermínio. Como sabemos, esses campos foram locais de confinamento e execução de milhões de pessoas inocentes. O que poucos sabem, contudo, é que muitos desses campos foram usados pelos soviéticos, no imediato pós-guerra, para outros fins que não o atendimento dos antigos detentos em recuperação. Esses “novos” campos ficaram conhecidos como Campos Especiais.
Ainda no ano de 1945 a União Soviética (URSS), através de seu Ministério do Interior, instalou no leste da Alemanha diversos Campos Especiais. Eles foram usados principalmente para a realização dos processos de “desnazificação”. Neles, os suspeitos eram colocados em isolamento perante o restante da sociedade e pouco sabiam sobre o motivo de suas prisões: na maioria dos casos lhes era explicado que enfrentariam os julgamentos perante a justiça soviética e que teriam de aguardar os trâmites dos processos em reclusão.
O Campo de Sachsenhausen atualmente: local abriga enrome museu. Foto: Bruno Leal
Não foram poucos os casos em que, buscando confissões, as autoridades soviéticas permitiam agressões físicas e torturas contra os acusados. Além de prisioneiros supostamente ligados ao nacional-socialismo, os Campos Especiais ainda serviam como locais de confinamento de cidadãos soviéticos que haviam sido prisioneiros durante a guerra na Alemanha e aguardavam o retorno à URSS. Segundo a autora Anne Kaminsky, foram criados 11 Campos Especiais pelos soviéticos, que os instalaram exatamente nos mesmos locais onde, até pouco tempo antes, existiam Campos de Concentração e Extermínio nazistas. Eram espaços com uma infraestrutura prisional já pronta e isolados dos grandes centros urbanos, características fundamentais para se realizar a limpeza de milhares de “pessoas perigosas”.
Os prisioneiros dos Campos Especiais praticamente não tinham contato com o mundo exterior. Seus familiares ou quaisquer outras pessoas que buscavam por notícias dos detentos raramente tinham êxito. As condições de vida nesses campos eram difíceis, pois, numa época em que havia grande escassez de itens básicos de sobrevivência por toda a Alemanha, pouco restava para a manutenção de prisioneiros. Segundo o testemunho de um médico judeu sobrevivente dado à Kaminsky, “as condições de vida no campo soviético furam muito piores que no campo de concentração”. Outra testemunha desse período, também antiga prisioneira no Campo Especial de Sachsenhausen e também em depoimento à Kaminsky, afirmou ter sido violentada em diversas ocasiões, além de ter sido ameaçada de morte por soldados soviéticos durante seu período de cárcere, entre o final de 1945 e 1950.
Alguns Campos Especiais, devido a sua subordinação ao Ministério do Interior soviético, eram administrados diretamente por um de seus órgãos mais temíveis, a Polícia Secreta da URSS (NKVD). No entanto, com o advento da fundação da socialista República Democrática Alemã (RDA), no final da década de 1940, o NKVD passou a desativar gradativamente as instalações dos Campos Especiais, colocando os prisioneiros que ainda restavam sob a jurisdição do novo país. Os últimos campos do tipo cessaram suas atividades em meados de 1950 e, durante a existência da RDA, poucas vezes tiveram suas ações analisadas. Somente após a reunificação alemã, estudiosos puderam ter maior acesso às informações referentes aos Campos Especiais. Entretanto, a maioria dos arquivos referentes a esses locais ou já havia sido destruída, ou ainda está em posse atualmente de instituições russas, que dificultam quaisquer tipos de pesquisas mais profundas em seus documentos.
Nos dias de hoje, o tema ainda é pouco enfrentado na Alemanha. Não só pela sociedade, mas pelas próprias instituições de memória. O Campo Especial de Sachsenhausen, localizado nas proximidades de Berlim, utilizado durante anos pelos nazistas, é um exemplo da maneira como o tema vem sendo tratado no país. Enquanto o site oficial do Memorial Sachsenhausen afirma que nas dependências de seu Campo Especial ocorreram poucos abusos contra os detentos, relatos de sobreviventes desse mesmo Campo afirmam categoricamente que sofreram uma miríade de agressões, além de terem presenciado a morte de inúmeros prisioneiros. As razões deste silêncio? Somente futuras análises e estudos historiográficos poderão dizer exatamente.

Referências Bibliográficas:
BESSEL, Richard. Alemanha 1945: Da guerra a paz. Tradução de Berilo Vargas. 1ª Edição. São Paulo: Editora Companhia das Letras, 2010.
BURUMA, Ian. Ano Zero: Uma história de 1945. São Paulo. Editora Companhia das Letras, 2015.
KAMINSKY, Anne. Campos soviéticos en Alemania, 1945-1950: Museos Memoriales. Revista Historia, Antropología Y Fuentes Orales, Barcelona, Espanha, nº 20, 1998, pp.105-113.
KITCHEN, Martin. História da Alemanha Moderna: de 1800 aos dias atuais. São Paulo. Editora Cultrix, 2013.

Rafael Haddad é mestre em História pelo Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal Fluminense. Graduado em Bacharelado e Licenciatura em História pela Universidade Federal Fluminense (2014). Membro do Centro de Memória da Extensão da Universidade Federal Fluminense (CEMEX-UFF), da Pró Reitoria de Extensão da Universidade Federal Fluminense (PROEX-UFF). Sua monografia intitulou-se “O Bombardeio de Dresden, 1945: uma análise bibliográfica”. No mestrado, sua dissertação, sob orientação do Prof.Dr. Bernardo Kosher, tem o título provisório de “Memória e Representações da Segunda Guerra Mundial em Museus e Memoriais Alemães (1950-2014)”. Clique aqui para ver o currículo lattes. O artigo ““Campos especiais”: a reutilização dos campos nazistas” foi publicado originalmente em 2016 no portal “Crimes Nazistas”, pertencente ao Café História e encerrado em 2017.

Como citar esse artigo
HADDAD, Rafael. “Campos especiais”: a reutilização dos campos nazistas. (Artigo). In: Café História – história feita com cliques. Disponível em: . Publicado em: https://www.cafehistoria.com.br/campos-especiais-sovietivos/. 23 set 2017. Acesso: [informar data].

Londres vai rever exposição usada como 'arma' diplomática pelo Brasil em plena 2ª Guerra

Abertura da exposição de arte brasileira em Londres, em 1944: cultura em plena Segunda Guerra Mundial
Image captionA exposição de 1944, em plena guerra, foi a primeira coletiva de arte brasileira na Europa | Foto: Divulgação
No meio da 2ª Guerra Mundial, o Brasil mandou de navio 168 pinturas e desenhos de 70 artistas modernistas, além de 162 fotografias para serem exibidas na Royal Academy, uma das mais tradicionais e conservadoras do Reino Unido.
Aberta em 22 de novembro de 1944 na capital inglesa, a exposição exibiu trabalhos de artistas renomados como Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Iberê Camargo, Cândido Portinari e Roberto Burle Marx. E surpreendeu os britânicos pelo estilo sofisticado das obras.
Agora, Londres vai poder rever parte desse acervo que, em 1944, atraiu cerca de 100 mil pessoas - um recorde até mesmo para os padrões da época.
A Embaixada do Brasil em Londes vai anunciar oficialmente esta semana que está restaurando parte do acervo da exposição de 1944 e que pretende exibi-lo a partir de abril do próximo ano. Dos 168 quadros que vieram do Brasil, 25 estão em museus e galerias de arte do Reino Unido e a maioria jamais foi pendurada numa parede novamente.
'Soft power'
Nos anos 1940, no entanto, a exposição foi vista por ingleses e brasileiros como uma ferramenta diplomática.
À época, o diplomata britânico Victor Perowne, que era responsável por América Latina, escreveu num documento oficial que se tratava de um assunto "mais político que artístico", conforme ofício dele encaminhado ao governo do Reino Unido.
Do lado inglês, foi preciso intervenção política para convencer a Royal Academy, que inicialmente havia rejeitado as obras, a abrir três salas para a exibição. Do lado brasileiro, todos os artistas doaram suas obras, e se comprometeram a doar o dinheiro das possíveis vendas para a Força Aérea Britânica.
Trecho do documento no qual o diplomata Victor Perowne
Image captionTrecho do documento no qual o diplomata britânico Victor Perowne explica que o interesse do Reino Unido na exposição "é político e não artístico" | Foto: Divulgação
"A diplomacia cultural é instrumento da política externa", explica Eduardo dos Santos embaixador brasileiro no Reino Unido. Ele diz que, no contexto da 2ª Guerra Mundial, a exposição serviu para estreitar as relações entre brasileiros e britânicos, além de ter sido uma forma de usar a cultura para fortalecer a imagem do Brasil no exterior.
"Na época isso tinha todos os elementos de soft power." A expressão foi cunhada pelo cientista político americano Josepth Nye em 2004 para se referir ao potencial de um país de influenciar outros por meio de seu poder de inspiração e atração, em contraposição ao poder "duro", ou militar.
Se, no passado, a exposição foi vista como uma das primeiros estratégias de soft power de fôlego do Brasil na Europa, atualmente o país enfrenta dificuldades para impor seu poder de convencimento.
Relatório anual sobre o tema divulgado este ano pela consultoria britânica Portland mostra que o Brasil despencou no ranking internacional que mede soft power. O país é agora o 29º colocado no ranking, penúltimo da lista de 30 países.
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Image caption"Lucy with Flower", de Lasar Segall, foi a escolhida a melhor obra da exposição de 1944 e volta a ser exibida em Londres no ano que vem | Foto: Divulgação/Scottish National Gallery of Modern Art
Diante desse cenário, Eduardo Santos afirma que a volta da exposição "é um evento de importância histórica, cultural e diplomática em termos da relação Brasil-Reino Unido".
"É um passo a mais na afirmação dos nossos valores e do nosso estilo de diplomacia", afirma.
O embaixador teve a oportunidade de contar um pouco da história do evento num jantar em abril com a rainha da Inglaterra, Elizabeth 2ª, que, segundo ele, se interessou pela nova exibição. "Adoraríamos que ela fosse, mas não há nada confirmado nesse sentido."
A exposição de 1944 recebeu a visita da rainha Elizabeth (1900-2002), conhecida como rainha-mãe, ainda na primeira semana. Além de Londres, a montagem passou por outras sete cidades britânicas: Norwich, Reading, Manchester, Bristol, Glasgow, Edimburgo e Bath.
Foram vendidas 80 obras - 47 delas na primeira noite - e o dinheiro arrecadado foi, de fato, doado para a Força Aérea britânica, que combatia o exército de Hitler.
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Image captionEmbaixada do Brasil em Londres está restaurando 15 das 25 obras que serão expostas em abril de 2018 | Foto: Divulgação/Brighton and Hove Museums and Art Galleries

Sofisticação

Apesar do sucesso, especialistas dizem que a maioria das obras contrariaram as expectativas do público britânico que, pelas reações, esperavam algo "menos europeu".
Para Adrian Locke, curador da nova exposição, o Reino Unido não estava aberto à ideia de que o Brasil poderia ser "uma nação sofisticada e culturalmente progressista".
"Mas os brasileiros mostraram, de um modo geral, uma arte que fugia dos estereótipos e da sensualidade", explica o chefe do setor cultural da Embaixada do Brasil em Londres e pesquisador do Brazil Institute, do King's College London, Hayle Gadelha.
Quadro
Image captionDas 168 obras expostas em 1944, 25 foram localizadas em galerias e museus do Reino Unido | Foto: Divulgação/Plymouth Museums and Galleries
Coube a ele fazer um trabalho de detetive para rastrear onde estavam as obras. Localizou metade delas, sendo que 25 estão em museus e galerias de arte do Reino Unido que cederam os quadros para a nova montagem, marcada para o dia 6 de abril.
Para Gadelha, que transformou o impacto da exibição de 1944 em tese de doutorado, a exposição foi um movimento diplomático que tinha, como pano de fundo, a busca do Brasil de se colocar como potência global a partir cultura. Mas acabou sendo uma iniciativa isolada.
"Houve uma descontinuidade, e algo do tipo demorou muito para se repetir", explica.
Fonte: BBC Brasil

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Proclamação da República: por que, 128 anos depois, historiadores concordam que monarquia sofreu um 'golpe'

O quadro 'Proclamação da República', de Benedito Calixto
Image captionO quadro 'Proclamação da República', de Benedito Calixto; movimento que questiona rompimento com a monarquia ganhou força com as redes sociais | Imagem: Centro Cultural São Paulo
Meses após o Marechal Deodoro da Fonseca enganar a própria mulher, burlar as recomendações médicas e levantar da cama - onde havia passado a madrugada daquele 15 de novembro febril - para proclamar a República brasileira, o país já conhecia a primeira crítica articulada sobre o processo que havia removido a monarquia do poder em 1889.
Escrito pelo advogado paulistano Eduardo Prado, o livro Os Fastos da Ditadura Militar no Brasil, de 1890, argumentava que a Proclamação da República no Brasil tinha sido uma cópia do modelo dos Estados Unidos aplicada a um contexto social e a um povo com características distintas.
A monarquia, segundo ele, ainda era o modelo mais adequado para a sociedade que se tinha no país. Prado também foi o primeiro autor a considerar a Proclamação da República um "golpe de Estado ilegítimo" aplicado pelos militares.
Hoje, 128 anos depois, o tema voltou ao debate público: enquanto diversos historiadores apontam a importância da chegada da República ao Brasil, apesar de suas incoerências e dificuldades, um movimento que ganhou força nos últimos anos - principalmente, nas redes sociais - ainda a contesta.
"A proclamação foi um golpe de uma minoria escravocrata aliada aos grandes latifundiários, aos militares, a segmentos da Igreja e da maçonaria. O que é fato notório é que foi um golpe ilegítimo", disse à BBC Brasil o empresário Luiz Philippe de Orleans e Bragança, tataraneto de D. Pedro 2º, o último imperador brasileiro, e militante do movimento direitista Acorda Brasil. No anúncio do último congresso do Movimento Brasil Livre (MBL), em que foi um dos palestrantes, Luiz foi apresentado e festejado como "príncipe".
"Quando há ilegitimidade na proclamação de qualquer modelo de governo, não se consegue estabelecer autoridade e, dessa forma, não se tem ordem. É exatamente isso que aconteceu na república: removeram o monarca e, no momento seguinte, foi um caos", completa ele, justificando a partir da história os solavancos recentes da democracia brasileira.
Retrato do Marechal Deodoro da Fonseca por Henrique Bernardelli
Image captionRetrato do Marechal Deodoro da Fonseca por Henrique Bernardelli; ele proclamou a República no Brasil após uma madrugada febril | Imagem: Museu Histórico Nacional
Desde o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), em 2016, o movimento pró-monarquia foi impulsionado pelas redes sociais e pela presença de grupos monarquistas nas manifestações contra o governo petista, entre 2015 e 2016 - muitos deles, empunhando bandeiras do Brasil Império.

Um movimento de elites

A ideia de que a Proclamação da República foi um "golpe" é engrossada pelo historiador José Murilo de Carvalho, que acabou de lançar seu oitavo livro sobre os períodos monárquico e republicano do Brasil: O Pecado Original da República(Bazar do Tempo, 294 páginas). Um dos intelectuais mais respeitados no país, Murilo também admite que é possível discutir a legitimidade do processo, como reivindicam os monarquistas atuais.
"Para se sustentar [a reivindicação de legitimidade da proclamação], ela teria que supor que a minoria republicana, predominantemente composta de bacharéis, jornalistas, advogados, médicos, engenheiros, alunos das escolas superiores, além dos cafeicultores paulistas, representava os interesses da maioria esmagadora da população ou do país como um todo. Um tanto complicado", avalia.
Ainda de acordo com Murilo, não apenas foi um golpe, como ele não contou com a participação popular, o que fortalece o argumento de ilegitimidade apresentado pelos atuais monarquistas. Para ele, a distância da maior camada da população das decisões políticas é um problema que perdura até hoje.
"Embora os propagandistas falassem em democracia, o pecado foi a ausência de povo, não só na proclamação, mas pelo menos até o fim da Primeira República. Incorporar plenamente o povo no sistema político é ainda hoje um problema da nossa República. Pode-se dizer que as condições do país não permitiram outra solução e que os propagandistas eram sonhadores. Muitos realmente eram", conta.
Luiz Philippe de Orleans e Bragança, tataraneto de D. Pedro II
Image captionLuiz Philippe de Orleans e Bragança: 'A proclamação foi um golpe de uma minoria escravocrata aliada aos grandes latifundiários, aos militares, a segmentos da Igreja e da maçonaria. O que é fato notório é que foi um golpe ilegítimo' | Foto: Ana Carolina Camargo/BBC Brasil
Especialista no período, o jornalista e historiador José Laurentino Gomes, autor da trilogia 18081822 e 1889, concorda com a leitura do "golpe". Para ele, no entanto, o debate sobre a legitimidade da República é sobre "quem legitima o quê", o que está ligado ao processo de consolidação de qualquer regime político.
"O termo 'legitimidade' é muito relativo. Depende do que se considera o instrumento legitimador da nossa República. Se ele for o voto, ela não é legítima, porque o Partido Republicano nunca teve apoio nas urnas. Agora, se considerar esse instrumento a força das armas, foi um movimento legítimo, porque foi por meio delas que o exército consolidou o regime", diz.
Para Laurentino, a questão envolve a luta pelo direito de nomear os acontecimentos históricos que, no caso dos republicanos, conseguiram emplacar a ideia de "proclamação" e não de "golpe". "O que aconteceu em 1889, em 1930 e em 1964 é a mesma coisa: exército na rua fazendo política. Depende de quem legitima o quê. O movimento de 1964 não foi legitimado pela sociedade, mas a revolução de 1930 foi tanto pelos sindicatos quanto pelas mudanças promovidas por Getúlio Vargas. A proclamação é contada hoje por quem venceu", argumenta.
Para o historiador Marcos Napolitano, professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP), é possível sim falar em golpe na fundação da República. Já questionar sua legitimidade, como faz Orleans e Bragança, seria um revisionismo histórico incabível.
"Se pensarmos que a monarquia era um regime historicamente vinculado à escravidão (esta sim, uma instituição ilegítima, sob quaisquer aspectos), acho pessoalmente que a fundação da República foi um processo político legítimo que, infelizmente, não veio acompanhado de reformas democratizantes e inclusivas", explica.
Mulher segura bandeira do BrasilDireito de imagemREUTERS
Image captionApós 128 anos, Proclamação da República ainda é alvo de debates
Segundo José Murilo de Carvalho, é possível afirmar que a proclamação foi obra quase totalmente dos militares, assim como conta o jornalista Laurentino Gomes em seu livro 1889. "Só poucos dias antes do golpe é que líderes civis foram envolvidos", explica Murilo. Para o professor Marcos Napolitano, porém, o fato de ter sido uma minoria a responsável por derrubar a monarquia não retira do movimento a sua legitimidade.
"Qualquer processo político está ligado à capacidade de minorias ativas ganharem o apoio de maiorias, ativas ou passivas, e neutralizarem outros grupos que lhes são contra. Nem sempre um processo político que começa com uma minoria ativa redunda em falta de democracia. Esta é a medida de legitimidade de um processo político. Muitos processos políticos democratizantes, que mudaram a história mundial, começaram assim. O que não os exime de serem processos muitas vezes traumáticos e conflitivos", explica Napolitano.

Monarquia como opção de regime político?

Orleans e Bragança expressa uma alternativa que já existe há algum tempo entre um grupo restrito de historiadores. O mais militante deles é o professor Armando Alexandre dos Santos, da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul). Frequentemente convidado pela Casa Real para palestras e eventos, ele é amigo pessoal de D. Luiz Gastão de Orleans e Bragança - que seria o imperador do país caso fosse uma monarquia - desde os anos 1980.
Para Santos, a República representou a instauração de uma ditadura jamais vivida até então no Brasil. "Foi uma quartelada de uma minoria revoltosa de militares que não teve nenhum apoio popular. A própria proclamação foi um show de indecisões: Deodoro da Fonseca, por exemplo, só decidiu proclamá-la porque foi pressionado pelos membros do seu grupinho que precisavam de um militar de patente para representá-los. Foi, acima de tudo, um modismo, uma imitação servil dos EUA", argumenta.
Santos, no entanto, não encontra apoio para sua tese na maior parte da academia. Para os historiadores ouvidos pela BBC Brasil, o retorno à monarquia não está definitivamente no horizonte político do país.
"O plebiscito de 1993 (para determinar a forma de governo do país) mostrou que há sólida maioria favorável à República, apesar das trapalhadas do regime. Fora do carnaval, a imagem predominante da monarquia ainda é a de regime retrógrado", afirma José Murilo de Carvalho, seguido por Gomes. "Em um momento de discussão da identidade nacional, se somos violentos ou pacíficos, corruptos ou transparentes, vamos em busca de mitos fundadores. Um deles é D. Pedro, que era um homem culto e respeitado. Esse movimento monárquico atual é freudiano. É a busca de pai que resolva tudo sem que a gente se preocupe", finaliza.
Fonte: BBC Brasil

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

III Concurso de Quadrinhos do AHR/IHPF divulga vencedores


  • Por: Assessoria de Imprensa
Os vencedores do III Concurso de Quadrinhos do Arquivo Histórico Regional (AHR) e do Instituto Histórico de Passo Fundo (IHPF) foram divulgados no dia 10 de novembro, durante a Feira do Livro de Passo Fundo. A edição do Concurso foi dedicada às lendas relacionadas ao “Chafariz da Mãe Preta”. 
As historietas vencedoras podem ser conferidas clicando aqui. Em breve todas as historietas serão publicadas no site Projeto Passo Fundo, como nas edições anteriores.
O objetivo desse concurso é instigar estudantes de todos os níveis, profissionais e a comunidade em geral para a importância das memórias e da história local e regional, bem como para os acervos que fazem possível seu estudo e divulgação, em especial o acervo AHR e do IHPF, localizados no centro da cidade: o Arquivo junto à UPF Idiomas e o Instituto no Espaço Cultural Roseli Doleski Preto.
A III edição do Concurso teve como destaque a participação das Escolas João Rosso e Professora Eulina Braga que investiram na proposta, o que resultou no envio de algumas historietas nas categorias de Ensino Fundamental e Ensino Médio. O concurso é uma iniciativa do Arquivo Histórico Regional (AHR/PPGH-UPF) e Instituto Histórico de Passo Fundo (IHPF) e teve apoio do curso de História e Programa de Pós-Graduação em História (PPGH) da UPF, do Projeto Passo Fundo, da Academia Passo-Fundense de Letras, da Livraria Delta e da loja de revistas em Quadrinhos A Toca. 
Vencedores:

Categoria I – Estudantes do Ensino Fundamental
Luana Censi -Mãe Preta
Categoria II – Estudantes do Ensino MédioThaís Pascuali Moreno e Vanessa J. O. C. dos Santos - Lenda da Mãe Preta
Categoria III – Acadêmicos da Graduação e DesenhistasAlex Araújo e Carli Roger Bortolanza - Lágrimas das saudades

Horários 2018.1

História – 2018/1

Currículo 5522

Nível I
Segunda
Terça
Quarta
Quinta
Sexta
História Antiga Oriental
História Antiga Ocidental
Iniciação ao Conhecimento Acadêmico
Formação Histórica do Brasil
Introdução aos Estudos Históricos


Nível II
Segunda
Terça
Quarta
Quinta
Sexta
História da África
História Medieval I
Leitura e Produção de Textos
Sociologia dos Processos Sócio-Educativos
Cultura, Memória e Patrimônio

Currículo 4505

Nível III
Segunda
Terça
Quarta
Quinta
Sexta
Prática Pedagógica de História
História da África
Psicologia da Educação
História Medieval II
Teorias da História

Nível IV
Segunda
Terça
Quarta
Quinta
Sexta
História Moderna I
Metodologia do Ensino de História
História do Brasil I
Prática e Estágio I de Arquivos e Museus
Didática Geral

Nível V
Segunda
Terça
Quarta
Quinta
Sexta
História da América I
Métodos e Prática de Pesquisa Histórica I
História Moderna II
História do Brasil II
História do Rio Grande do Sul I

Nível VI
Segunda
Terça
Quarta
Quinta
Sexta
Estágio Supervisionado em História II
História do Brasil III
História Contemporânea I
História do Rio Grande do Sul II
História da América II

Nível VII
Segunda
Terça
Quarta
Quinta
Sexta
Métodos e Prática de Pesquisa Histórica II 
(prático )
Métodos e Prática de Pesquisa Histórica II (teórico) / História Contemporânea II
História do Brasil IV
Estágio Supervisionado em História III (Ensino Fundamental e Médio)
História da Ásia Contemporânea


PREVISÃO
Turma especial
Métodos e Prática em Pesquisa Histórica III
04 Créditos – Quarta a noite
Local: AHR