quarta-feira, 21 de junho de 2017

1948 - Disco LP é lançado e inaugura nova era da indústria fonográfica


Os novos discos de vinil eram mais leves, maleáveis e resistentes a eventuais quedas e batidas; advento marcou uma nova era da indústria fonográfica
A era de ouro do disco de vinil teve início no final da década de 1940 e se estenderia até o final dos anos 80. No dia 21 de Junho de 1948, a Columbia Records apresentava ao público no hotel Waldorf Astoria, em Nova York, o disco LP (Long Play) de 33 1/3 rpm (rotações por minuto). A revelação tornou ultrapassados os antigos discos de acetato, de 78 rotações.
Os novos discos de vinil eram mais leves, maleáveis e resistentes a eventuais quedas e batidas. No entanto, a grande novidade é que poderia armazenar um número muito maior de canções, em vez de uma canção por face dos discos anteriores, a par de uma melhor qualidade sonora.
WikiCommons

O Long Play também poderia ser fabricado nos tamanhos de 10' ou compactos de 7'
No ano seguinte, a RCA Victor lançaria o primeiro LP de 45 rpm. As rotações foram diminuindo e se consolidava o disco de vinil, um novo, mais qualificado e econômico meio de reprodução musical.
Produzidos com micro-sulcos em forma espiral, permitiam que a agulha do toca-discos lesse a informação gravada. A vibração provocada pelo toque da agulha no disco era transformada em sinal elétrico que, amplificado, reproduzia a música.
O presidente da Columbia, Ted Wallerstein, apresentou aos seus engenheiros e assessores uma ideia bastante simples: gostaria de ouvir todo um movimento de uma sinfonia em um único lado do álbum. Ward Botsford, escrevendo para o High Fidelity Magazine, relatou: "Ele não foi o inventor, foi simplesmente um homem que lançou uma ideia em boa hora, convencendo centenas de seus colaboradores a dar vida a um avanço na indústria fonográfica".
Em 1948, a Columbia apresentou o formato de gravação Long Playing "microssulco" LP, que girava a 33⅓ rotações por minuto, o que viria a ser o padrão para os toca-discos por cerca de meio século. No começo dos anos 1940, a  Columbia havia tentado com gravações em alta fidelidade, o que pavimentou o caminho para o lançamento bem-sucedido do LP em 1948. Um dos discos que ajudou a firmar o novo padrão para os amantes de música foi a regravação em LP de dez polegadas do The Voice of Frank Sinatra (A Voz de Frank Sinatra), o primeiro álbum pop gravado no novo formato, originalmente prensado em março de 1946 em álbum de quatro discos de 78 rpm.
Os novos LPs da Columbia eram particularmente adequados às longas peças de música clássica. Os primeiros álbuns apresentaram artistas como Eugene Ormandy e a Orquestra Sinfônica de Filadélfia; Bruno Walter e a Orquestra Filarmônica de Nova York e Sir Thomas Beecham e a Royal Philarmonic Orchestra. O sucesso de tais discos finalmente persuadiu a CapitolRecords a lançar seus LPs em 1949. A RCA Victor fez o mesmo em 1950, seguida imediatamente por outros grandes selos: Decca na Inglaterra e Deutsche Gramophon na Alemanha.
Ao longo dos anos, a Columbia juntou-se à Decca e à RCA Victor especializando-se em álbuns dedicados aos musicais da Broadway com os cantores dos elencos originais. Nos anos 1950, a Columbia começou também a lançar LPs com as trilhas sonoras de filmes de sucesso.
Com o advento do CD (Compact Disc) nos anos 1980, o vinil parecia tornar-se obsoleto. Ao contrário do novo meio, os LPs eram frágeis e qualquer arranhão poderia prejudicar a qualidade sonora. Precisavam ser ainda constantemente limpos e guardados na vertical. O CD, por seu lado, o primeiro meio digital, era mais duradouro, fidedigno e com maior capacidade de armazenamento.
Apesar das evidentes vantagens, o vinil continua subsistir e parece ter ganhado força nos últimos anos. Mesmo com o advento da internet, com os álbuns sendo facilmente descarregados, e o declínio da indústria fonográfica, as lojas de música resistem em aposentar os vinis. Ao contrário, as lojas voltam a dar grande destaque às bolachas, mantendo viva a cultura do vinil.
Esse culto está muito ligado à rivalidade entre o digital e o analógico. Os puristas defendem que o meio digital não tem tanta qualidade quanto o analógico porque elimina as freqüências mais altas e mais baixas, excluindo os ecos e as batidas graves e tornando a música menos natural.
Os colecionadores interessam-se muito mais pelo vinil que pelos CDs. É que nos anos 1970, as capas eram objeto de um cuidado artístico esmerado. Tornavam-se tão importantes e minuciosas que os fãs lhes dedicavam horas para tentar descobrir os menores detalhes escondidos.

1948: Iugoslávia é expulsa do Kominform

A 21 de junho de 1948, os países do Kominform impuseram um boicote econômico à então Iugoslávia, que se opunha à influência de Stalin. A intenção era levar o país ao caos e possibilitar uma intervenção.
Josip Broz Tito
Josip Broz Tito
Bucareste, junho de 1948. Três anos após o término da Segunda Guerra Mundial, o ditador soviético Josef Stalin havia consolidado sua influência em quase todos os países do Leste Europeu. A única exceção era a Iugoslávia que, sob a liderança do socialista Josip Broz Tito, resistia à tentativa soviética de transformá-la num Estado-satélite.
A linha independente do comunismo iugoslavo gerara um conflito entre Moscou e Belgrado que, em junho de 1948, chegava a seu ápice. A Liga dos Comunistas da Iugoslávia (LCI) boicotava a reunião do Kominform (Comitê de Informação dos Partidos Comunistas e Operários), realizada na capital romena. Em consequência, a Liga foi expulsa da agremiação, através de resolução aprovada por unanimidade pelo Kominform.
Os comunistas iugoslavos foram acusados de "nacionalismo burguês, comportamento antissoviético e dissidência esquerdista". A resolução terminava com uma ameaça: "A tarefa das forças saudáveis da Liga dos Comunistas da Iugoslávia consiste em admitir aberta e sinceramente seus erros (...) e, caso a atual direção da LCI seja incapaz de fazer isso, em derrubá-la e substituí-la por uma direção internacionalista."
No dia seguinte, o jornal britânico Telegraf publicou a seguinte manchete: "Stalin rompe com Tito; Tito acusado de trotzkismo".
A opinião pública, tanto na Europa Ocidental como na Oriental, ficou agitada. Como Belgrado iria reagir à afrontosa resolução? Rejeitar a "autocrítica" cobrada pelos demais partidos comunistas significaria uma insubordinação à potência soviética e teria consequências desastrosas para a economia iugoslava. Na época, 50% do comércio externo e quase todos os financiamentos para o plano quinquenal dependiam da União Soviética.
Iugoslávia rompe com Moscou
Apesar dos riscos, Tito rompeu com Moscou. A direção do PCI negou-se a reconhecer a resolução do Kominform, considerando-a errônea. A 3 de junho de 1948, a agência de notícias estatal Tanjug publicou a seguinte posição do PCI:
"A crítica feita na resolução baseia-se em afirmações imprecisas e infundadas e é uma tentativa de destruir a imagem do Partido Comunista da Iugoslávia no exterior e no país, de gerar confusão junto às massas nacionais e ao movimento operário internacional".
A ruptura entre Tito e Stalin era previsível. Eles já haviam tido divergências durante a Segunda Guerra Mundial. À exceção de Belgrado, reconquistada com a ajuda do Exército Vermelho, os iugoslavos livraram-se sozinhos da ocupação nazista. Apesar disso, o Exército Vermelho apresentou-se como "o libertador". Ao mesmo tempo, Stalin infiltrou agentes secretos na LCI para controlar setores estratégicos da economia iugoslava.
Quando Tito negociava a formação de uma confederação balcânica com o líder do Partido Comunista búlgaro, Giorgi Dimitrov, Stalin reagiu imediatamente. Em fevereiro de 1948, propôs a formação de uma confederação com a Bulgária, que lhe era submissa. Tito rejeitou o plano, a 13 de abril de 1948, com a seguinte argumentação:
"Aprendemos muito com o exemplo do sistema soviético, mas até certo grau construímos o socialismo em nosso país de outra forma. Não fazemos isso para mostrar que nosso caminho é melhor do que aquele seguido pela URSS ou para demonstrar que inventamos algo novo, mas, sim, porque o cotidiano nos força a esse procedimento".
Temendo as consequências econômicas da ruptura com Moscou e da influência do ocidente capitalista sobre a Iugoslávia, Tito ainda tentou moderar seu discurso. Na prática, porém, passou a receber ajuda econômica do Ocidente.
Tito tinha as cartas na mão
Ao contrário do que se esperava, Moscou não interveio imediatamente na Iugoslávia. Os países do Kominform decretaram um amplo boicote econômico, para provocar uma rebelião popular e o caos econômico, a fim de justificar uma eventual intervenção.
Mas esse plano falhou. Tito tinha duas cartas na mão: a localização geopoliticamente estratégica do país e um acordo firmado em 1944 entre Churchill e Stalin, que previa a divisão do Sudeste Europeu em zonas de influência ocidental e oriental.
A Iugoslávia adotou a chamada "terceira via". A reconciliação com a URSS, em 1956, não alterou a linha do comunismo iugoslavo, que diferia do modelo soviético pela manutenção da propriedade privada no campo e pela autogestão dos trabalhadores nas indústrias. Na política externa, o país se manteve independente em relação aos blocos comunista e capitalista, o que o transformou em importante fator político, nas três décadas seguintes.
Com a morte de Tito, em 1980, começou a desagregação da Iugoslávia, agravada com a derrocada do comunismo no Leste Europeu, em 1989/90, e com seguidos movimentos e guerras de independência que levaram Eslovênia, Croácia, Macedônia e Bósnia-Herzegovina a se separar da Iugoslávia.
  • Autoria Verica Spassovska (gh)
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terça-feira, 20 de junho de 2017

II Seminário do Núcleo de Estudos Históricos do Mundo Rural

II Seminário do Núcleo de Estudos Históricos do Mundo Rural
Dia 09/08/17 Local: IFCH 
Linha de Pesquisa Espaço, Economia e Sociedade do PPGH/UPF
Informações: iropm@upf.br

TEMA
O II Seminário do Núcleo de Estudos Históricos do Mundo Rural tem como eixos temáticos centrais o Mundo Rural, a Propriedade e os Movimentos socioambientais na pesquisa histórica. O seminário propõe um balanço das trajetórias de pesquisa de docentes e discentes vinculador ao NEHMuR. As experiências serão discutidas como expressão da diversidade social e regional que permeia as distintas dinâmicas territoriais como objeto de estudo.

OBJETIVO
Discutir as temáticas, metodologias e teóricas dos estudos e pesquisas através da relação entre à história agrária, história da agricultura, história ambiental, ocupação e apropriação da terra, conflitos fundiários, movimentos sociais, fronteiras agrárias e políticas, relações socioculturais, socioambientais e grupos sociais rurais. A perspectiva que aproxima e aglutina estes estudos é a do mundo rural no Sul do Brasil, em interação com os demais territórios platinos. Na interface entre história, antropologia, geografia, sociologia rural e direito o grupo tem procurado discutir as várias realidades rurais do país, na perspectiva do regional em seus múltiplos desdobramentos.

METODOLOGIA:
a)    Debate da obra LINHARES, Maria Yedda e SILVA, Francisco Carlos Teixeira da. Terra Prometida: uma história da questão agrária no Brasil. Rio de Janeiro: Campus, 1999.
b)    Síntese- balanço das trajetórias de pesquisa, com encaminhamento para o III Seminário. 

1942: Tropas nazistas conquistavam Tobruk, na Líbia

Em 20 de junho de 1942, as tropas alemãs iniciaram o ataque decisivo ao porto líbio de Tobruk, cuja importância era estratégica para o avanço do Afrikakorps de Hitler. A batalha foi o ponto alto da carreira de Rommel.
 Erwin Rommel na Líbia em junho de 1942
Às 5h20 da manhã de 20 de junho de 1942, o Afrikakorps alemão atacou a cidade portuária de Tobruk, na Líbia. Sob o comando do general Erwin Rommel, uma infantaria e duas divisões de tanques, apoiadas pela Força Aérea e pelo 20º Exército italiano, abriram fogo.
Por volta das 9 horas, os agressores atingiram o cruzamento da Via Balbia com a estrada para El Adem, chamada King's Cross pelos ingleses. A contraofensiva da 32ª brigada de tanques britânicos chegou tarde demais. Com a tomada do King's Cross, às 13h30, a queda de Tobruk estava praticamente selada.
A resistência ainda continuou até o dia seguinte. Vinte e quatro horas depois do primeiro tiro, os alemães chegaram ao porto. Um correspondente de guerra narrou assim os acontecimentos: "São 5h10 da manhã. Começou o segundo dia da batalha por Tobruk e, a verdade, ele prenuncia o fim da operação. A noite passada foi iluminada pelos lança-chamas. Agora, aqui no porto de Tobruk, ergue-se uma enorme coluna de fumaça, uma parede que se estende de Leste a Oeste. A nuvem de fumaça sobe de um depósito de petróleo, incendiado por soldados em fuga. Ela paira como um sinal de infortúnio sobre a fortaleza".
Valor estratégico para abastecimento
Tobruk, que em tempos de paz tinha só uma população de 4 mil habitantes, situa-se na costa da Líbia, junto a uma ampla baía de águas profundas. Era, portanto, um dos melhores portos naturais da costa norte-africana, o que lhe dava um imenso valor estratégico como centro de abastecimento. Foi disputadíssima durante toda a Segunda Guerra Mundial. Utilizada primeiramente pelos italianos como base para seus ataques à Cirenaica, em janeiro de 1941 passou ao controle dos ingleses.
Rommel já havia tentado ocupar Tubruk um ano antes. Na ocasião, as tropas inglesas no norte da África, enfraquecidas por perdas sofridas na Grécia, tiveram de recuar até a fronteira do Egito, mas conseguiram defender Tobruk. Rommel fracassou devido a excessivas perdas no flanco sul e porque Tobruk era abastecida constantemente pelo mar. Além disso, foi surpreendido pela resistência de unidades neozelandesas, que se destacaram por sua bravura na defesa do porto, como lembra o historiador Barton Maughan. Depois de sitiar a cidade durante 242 dias, Rommel viu-se obrigado a interromper a campanha.
Esse fiasco, porém, não deveria se repetir em junho de 1942. A Operação Veneza, destinada a expulsar os ingleses da África do Norte, tinha sido mais bem preparada. Subestimando o significado estratégico de Tobruk, os ingleses haviam deixado ali apenas a inexperiente segunda divisão sul-africana. Desta vez, as tropas alemãs levaram apenas um dia para conquistar a cidade. Às 6h30, o comandante da fortaleza, general Klopper, entregou-se aos nazistas, fato que a rádio oficial alemã registrou com a seguinte notícia:
"Do quartel geral do Führer, 21 de junho de 1942. O comando superior da Wehrmacht (Forças Armadas) informa: tropas alemãs e italianas, comandadas pelo general Rommel, tomaram a maior parte da cidade de Tobruk. Em consequência, um parlamentar inglês propôs a comandantes do Exército italiano a entrega da fortaleza. A cidade e o porto estão ocupados. Até agora, foram presos mais 25 militares, entre eles vários generais, e apreendido um volume inestimável de armas."
A conquista de Tobruk representou o auge da carreira de Rommel. Mas sua tentativa de avançar até o Egito fracassou. Na primeira batalha de El Alamein, o Afrikakorps foi contido e derrotado pelos ingleses. Outra consequência da batalha de Tobruk foi a nomeação do general Bernhard L. Montgomery para o comando do 8º Exército dos Aliados, que também acabaria sendo promovido a marechal de campo por suas vitórias no norte da África.
  • Autoria Dirk Kaufmann (gh)
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segunda-feira, 19 de junho de 2017

CURSO DE EXTENSÃO – “DOMÍNIOS DA HISTÓRIA”


CURSO DE EXTENSÃO –
“DOMÍNIOS DA HISTÓRIA: ENSAIOS DE TEORIA E METODOLOGIA”

Carga Horária: 40h.
Realização: Segundo semestre de 2017 (agosto a novembro).

Justificativa: O Projeto de Curso de Extensão “Domínios da História: ensaios de teoria e metodologia” possibilitará aos acadêmicos dos cursos de graduação e pós-graduação em História o estudo e o debate acerca de questões de ordem teórica e metodológica.

Objetivos:
- Debater e refletir sobre questões de ordem teórica e metodológica e seus impactos na historiografia.
- Instrumentalizar teoricamente e metodologicamente os acadêmicos para o exercício da pesquisa histórica.

Número de Vagas: 60
Valor da inscrição: R$ 10,00 (dez reais).
Período de inscrições: 20 de junho a 1º de agosto pelo site UPF (https://secure.upf.br/eventos/eventos/207)

CRONOGRAMA DOS ENCONTROS
Horário dos encontros: quintas-feiras, das 17h às 18h30min - Local: IFCH – Sala: a definir.

03-08 - 1. Entendendo como funcionam os diversos campos de saber – Prof. Alessandro Batistella
10-08 - 2. História e Poder – Prof. Adelar Heinsfeld
24-08 - 3. História Social – Prof. Alessandro Batistella
31-08 - 4. História Econômica – Prof. Adelar Heinsfeld
14-09 - 5. História das Mentalidades e História Cultural – Profª Gizele Zanotto e Profª Marlise Meyrer
28-09 - 6. História das Ideias – Prof. Alessandro Batistella
05-10 - 7. História das Mulheres – Profª Marlise Meyrer
19-10 - 8. História Agrária – Profª. Ironita Machado
26-10 - 9. História e Etnia – Prof. João Carlos Tedesco
09-11 - 10. História das Religiões e Religiosidades – Profª. Gizele Zanotto
23-11 - 11. História das Paisagens – Prof. Marcos Gerhardt

Bibliografia básica:
BARROS, José D’Assunção. Teoria da História: princípios e conceitos fundamentais. 4. ed. Petrópolis: Vozes, 2013, v. 1.
CARDOSO, Ciro Flamarion; VAINFAS, Ronaldo. Domínios da História: ensaios de teoria e metodologia. Rio de Janeiro: Campus, 1997.

1953: Estados Unidos executam o casal acusado de espionagem

No dia 19 de junho de 1953, o casal Julius e Ethel Rosenberg foi executado na prisão de Sing Sing, em Nova York. Eles eram acusados de ter repassado aos soviéticos informações sobre a bomba atômica.
Spionage Julius und Ethel Rosenberg (picture alliance/dpa)
Para compreender a execução do casal Julius e Ethel Rosenberg, em 1953, é preciso retroceder vários anos. Às 8 horas do dia 17 de julho de 1950, agentes do FBI bateram à porta do apartamento da família Rosenberg em Manhattan. Julius Rosenberg, 32 anos, nem teve tempo para terminar a higiene matinal. Foi preso ainda com espuma de barbear no rosto.
Esse era o desfecho de uma série de episódios que tiveram início logo no começo da Guerra Fria. Em agosto de 1945, a bomba atômica explodiu em Hiroshima, selando a vitória dos Aliados na Segunda Guerra Mundial. Em seguida, começou o conflito Ocidente-Oriente e surgiu a Cortina de Ferro. Os espiões russos e norte-americanos se esforçavam por descobrir os segredos militares e nucleares do adversário.
Paranoia anticomunista
A primeira bomba atômica russa explodiu quatro anos depois de Hiroshima e Nagasaki, em 28 de agosto de 1949. Enquanto a opinião pública se mostrava perplexa diante da demonstração de poder dos russos, a CIA começou a se questionar como os soviéticos haviam tido acesso aos segredos nucleares.
Em fevereiro de 1950, foi preso o cientista britânico Klaus Fuchs, que havia participado do projeto nuclear americano. Ele revelou ter passado dados importantes sobre a produção da bomba a agentes russos. A revelação desencadeou uma série de prisões, até se chegar ao soldado David Greenglass, irmão de Ethel Rosenberg.
Greenglass confessou haver entregue a Julius Rosenberg várias ilustrações das lentes especiais, desenvolvidas para a bomba no laboratório de Los Alamos. A prisão dos Rosenberg aconteceu em plena época de histeria anticomunista nos Estados Unidos. Qualquer pessoa que alguma vez tivesse manifestado qualquer simpatia pelo regime soviético era considerada suspeita.
Assassino de 50 mil soldados
O processo que se seguiu foi marcado por essa histeria. O caso Rosenberg teria de ser exemplar. Julius alegou inocência, mas foi incriminado por uma série de testemunhas. O juiz Irving Kaufman considerou o crime "pior que assassinato" e responsabilizou Rosenberg pelos 50 mil soldados mortos na Guerra da Coreia, eclodida em virtude da ameaça nuclear russa.
Apesar de a União Soviética ter negado qualquer envolvimento com Rosenberg, ele e a esposa foram condenados à cadeira elétrica no dia 5 de abril de 1951. Nos dois anos seguintes, seu advogado tentou de tudo para reverter a sentença. A opinião pública mundial protestou, o papa Pio 12 interveio, tudo em vão.
O casal foi um símbolo tanto para a esquerda como para a direita. Para uns, representou a injustiça capitalista; para outros, a ameaça comunista. No dia 19 de junho de 1953, Ethel e Julius Rosenberg foram executados na cadeira elétrica da prisão de Sing Sing. Só em 1997, Alexander Feklisov, ex-superagente russo e contato de Julius Rosenberg, confirmou que este havia sido espião, mas Ethel nunca soubera de nada.
  • Autoria Jens Teschke (rw)
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domingo, 18 de junho de 2017

1953: Proclamação da República do Egito

No dia 18 de junho de 1953, o general Mohammed Nagib proclamou a República do Egito, após destronar o rei Faruk através de um golpe millitar.
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A última página da história da monarquia egípcia foi virada um ano antes da proclamação da república no país. Com um golpe militar sem derramamento de sangue, os chamados “oficiais livres” tomaram o poder no dia 23 de julho de 1952, depondo o rei Faruk. Após uma série de calorosos debates, os golpistas decidiram não condenar o monarca à morte, que foi então enviado ao exílio na Itália.
O antigo rei não deveria nunca mais retornar ao país, embora a monarquia continuasse existindo oficialmente, uma vez que a república só seria proclamada em 18 de junho do ano seguinte. Uma junta foi designada para substituir o dono da coroa, embora o cargo tivesse se esvaziado de qualquer poder. O governo, na verdade, passou às mãos dos golpistas, que há anos trabalhavam pela liberação do Egito da tutela britânica e do domínio da aristocracia.
Membros de várias correntes políticas formavam a Sociedade dos Oficiais Livres: socialistas, nacionalistas e até participantes da organização islâmica Irmãos Muçulmanos. A liderança era exercida por Gamal Abdel Nasser, filho de um funcionário público egípcio, que após sua formação na Academia Militar começou a recrutar forças revolucionárias entre seus correligionários.
Estes, assim como Nasser, vinham de famílias simples e transformaram-se, através da carreira na Academia Militar, fundada pelos ingleses, na nova elite do país.
Após a fundação de Israel
O pano de fundo do golpe foi, por um lado, a rejeição aos ingleses e, por outro, a intenção de proclamar a “verdadeira independência egípcia”. Essas razões levaram boa parte dos oficiais a simpatizar, durante a Segunda Guerra Mundial, com a Alemanha nazista.
O grande desafio para os novos detentores do poder foi a fundação de Israel em 1948. O Estado judaico foi encarado como uma provocação dos países colonizadores e entendido como manobra destes para garantir influência no Oriente Médio.
A derrota na primeira guerra contra Israel não foi considerada uma vergonha para o país, mas creditada à má vontade do rei em vencer o conflito. O regime corrupto do monarca teria sido responsável pela aquisição de armas ineficazes e estas teriam contribuído para a derrota do Egito. A luta contra a corrupção foi, por isso, uma das principais tarefas empreendidas pelos oficiais e uma das razões que levaram à revolução em 1952.
Golpe militar
O general Muhamed Nagib, que após o golpe tornou-se o número um do Conselho do Comando Revolucionário, afastou Nasser do centro de decisões. Nagib, então com 51 anos, era o mais velho dos golpistas e gozava de boa reputação entre os oficiais mais novos, principalmente por ter sido um crítico feroz no período pré-revolucionário.
Os oficiais tentaram iniciar um trabalho conjunto com os políticos do país. Pouco tempo depois, Nagib alertava para o perigo de uma nova ditadura, uma vez que muitos dos responsáveis pela corrupção do governo anterior continuavam em seus postos. Sete “comitês de limpeza” demitiram 800 civis e cem militares até agosto de 1953.
Logo surgiram, no entanto, conflitos entre os militares, que os levaram à disputa acirrada pelo poder. Nagib, contrário à ideia de os militares assumirem todos os negócios do governo, reprimindo por completo o papel dos civis, prezava por outro lado sua imagem e influência como figura emblemática da revolução.
Em fevereiro de 1954, eclodiu o conflito entre Nagib e Nasser. Este saiu vitorioso, tirou o poder das mãos de Nagib, assumiu o controle do Estado, instaurou uma censura rigorosa e aboliu os partidos políticos.
A tentativa de resistência de Nagib fracassou e no final de 1954 nem mais seu prestígio perante a opinião pública lhe foi útil. Seu passado serviu, quando muito, para salvá-lo do pior, uma vez que Nasser condenou-o à prisão domiciliar para o resto de sua vida.
  • Autoria Peter Philipp (sv)
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sexta-feira, 16 de junho de 2017

1958: Execução do então primeiro-ministro húngaro Imre Nagy

No dia 16 de junho de 1958 foi executado o primeiro-ministro da Hungria, Imre Nagy. Durante a Revolução Húngara de 1956, ele defendeu a autonomia do país em relação à União Soviética e reformas democráticas.
Imre Nagy
Nascido em 7 de junho de 1896, o húngaro Imre Nagy participou do movimento revolucionário camponês em seu país, antes de emigrar para a União Soviética em 1929, onde viveu muitos anos.
Em 1944, ingressou no Politburo do Partido Comunista e, de volta à Hungria, assumiu o Ministério da Agricultura, realizando uma reforma agrária radical. Por simbolizar o "novo rumo" do socialismo humano, foi nomeado primeiro-ministro em 1953. Mas ocupou o cargo por pouco tempo: dois anos mais tarde, era derrubado pelos stalinistas.
Estudantes nas ruas
No início de 1956, o presidente soviético Nikita Kruchov condenou os métodos stalinistas, reacendendo as esperanças de maior autonomia nos países do bloco. Os trabalhadores poloneses começaram a protestar. Em solidariedade, estudantes húngaros saíram às ruas em 23 de outubro, derrubando uma enorme estátua de Stalin durante os protestos.
O protesto estudantil desembocou numa rebelião popular contra a ocupação soviética da Hungria. Até as Forças Armadas e a polícia participaram das manifestações. Com a revolução nas ruas, o governo caiu, e Nagy foi recolocado no cargo de premiê. Ele reconheceu a revolução no dia 28 de outubro, formou um governo suprapartidário e passou a defender uma democracia parlamentar e a neutralidade política para a Hungria.
Exército Vermelho reimpõe Pacto de Varsóvia
No começo de novembro, Nagy abriu as fronteiras, extinguiu a censura e anunciou a saída da Hungria do Pacto de Varsóvia, a aliança militar dos países do bloco comunista durante a Guerra Fria. Nesse momento, as tropas da repressão soviética já estavam a caminho de Budapeste. János Kádár, primeiro-secretário do PC húngaro e membro do gabinete de Nagy, começou a negociar com Moscou, revogando os poderes do primeiro-ministro.
A resistência contra o Exército Vermelho durou dois dias e custou a vida de 3 mil pessoas. Em 7 de novembro, Kádár chegou a Budapeste como novo chefe de governo. Nagy e alguns assessores e ministros fugiram para a embaixada da Iugoslávia, onde passaram três semanas cercados por tanques soviéticos. Eles só deixaram a embaixada porque Kádár prometeu que não haveria punição.
A promessa não se cumpriu. Nagy foi preso pela KGB e deportado para a Romênia, por se negar a renunciar ao cargo que ocupava em Budapeste. Num processo sumário, ele e alguns ministros foram condenados e executados em 16 de junho de 1958.
Para que ninguém o venerasse na sepultura, foi enterrado em sigilo. Imre Nagy só foi reabilitado em 1989, após o fim do regime Kádár.
  • Autoria Gábor Halázs
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terça-feira, 13 de junho de 2017

1988: Daimler-Benz indenizou trabalhadores forçados no regime nazista

No dia 13 de junho de 1988, o conglomerado Daimler-Benz anunciou, em Stuttgart, o pagamento de 20 milhões de marcos a título de indenização às pessoas obrigadas a trabalhar em suas fábricas durante o regime nazista.
Bildergalerie EVENTS Spanisch Februar 2012 Die Deutschen, die Zwangsarbeiter und der Krieg (Mercedes-Benz Classic, Archive, Stuttgart)
Noventa por cento das empresas alemãs se beneficiaram do trabalho de escravos ou semiescravos recrutados pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Nem todas reconhecem sua responsabilidade histórica e estão dispostas a colaborar com a indenização dos sobreviventes.
A Daimler-Benz foi uma das primeiras a reconhecer esta responsabilidade. Em 1988, a empresa decidiu destinar 20 milhões de marcos para a indenização de ex-trabalhadores forçados. Três anos antes, havia começado uma investigação da história da empresa, especialmente durante os anos da guerra, para a qual a Daimler-Benz encarregou uma equipe de professores e historiadores.
Responsabilidade moral
O objetivo era não só indenizar as vítimas financeiramente, mas também assumir a responsabilidade moral diante delas. Na época, metade do dinheiro foi canalizado para organizações não judaicas, pois a maioria dos trabalhadores forçados não era desta confissão.
A empresa foi uma das que mais tirou proveito dos trabalhadores forçados, vindos em grande parte do Leste Europeu, entre 1933 e 1945. Desde 1941, a Daimler-Benz vinha produzindo acima de tudo material bélico, como motores para aviões, veículos de combate e embarcações ligeiras.
A crise de mão de obra era grande, já que quase todos os homens estavam nas frentes de guerra. No início, o regime nazista incentivou a vinda de mão de obra dos países vizinhos para a produção nas fábricas. Mais tarde, importou mão de obra dos países derrotados, pois só assim conseguiu continuar sustentando sua máquina de guerra.
No total, durante os anos que durou o conflito, 46 mil pessoas foram obrigadas a trabalhar para a Daimler-Benz. No final de 1944, em toda Alemanha, havia 7,7 milhões de trabalhadores forçados na agricultura e na indústria. Suas condições de vida eram precárias. Os nazistas haviam imposto uma rígida hierarquia racista, que dava preferência aos trabalhadores voluntários da Europa Ocidental.
Menos privilegiados, em condições quase desumanas, viviam os prisioneiros de guerra das mesmas nações vizinhas ocidentais. Mais abaixo, vinham os trabalhadores arregimentados do leste e do sul da Europa. Piores ainda eram as condições dos prisioneiros dessa região e dos campos de concentração.
O dinheiro, em 1988, foi doado a instituições de caridade que trabalhavam com sobreviventes dos trabalhos forçados no exterior. O pagamento, no entanto, não significou para o conglomerado o encerramento deste importante capítulo de sua história. Em 1999, a Daimler-Benz foi uma das iniciadoras do fundo formado pela iniciativa privada e pelo governo alemão para indenizar sobreviventes dos trabalhos forçados.
  • Autoria Ute Schaeffer (rw)
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domingo, 11 de junho de 2017

Da Guerra dos Seis Dias à ocupação israelense

Atas secretas de 1967 revelam que ocupação de territórios palestinos por Israel foi uma decisão improvisada, após vitória inesperada sobre os árabes. Assentamentos deram início a uma ruptura na sociedade israelense.
Antigo anseio por Jerusalém pode ter norteado ações de generais israelenses
Antigo "anseio por Jerusalém" pode ter norteado ações de generais israelenses
Após 50 anos de embargo, e com alguns parágrafos ainda censurados, atas recentemente divulgadas lançam luz sobre os dias que levaram à Guerra dos Seis Dias. O conflito, travado entre 5 a 10 de junho de 1967, levou a uma guinada radical no conflito israelo-palestino.
Lendo os documentos, fica claro que os tomadores de decisão israelenses não tinham um plano político para os dias seguintes, nem uma visão realista para os territórios a serem ocupados em breve. Pelo contrário: as atas sugerem que, mais do que uma estratégia, as anexações de Cisjordânia, Jerusalém Oriental, Faixa de Gaza e das Colinas de Golã foram medidas ad hoc, tomadas após vitórias inesperadas.
A impressão é que os próprios diplomatas israelenses estavam chocados com os êxitos do país, sem saber como gerir os novos e imensos territórios, pois a área de Israel triplicara. Muito menos ainda eles eram capazes de abarcar o significado de passar a ter, só na Cisjordânia, quase 800 mil árabes vivendo sob seu controle direto.
Anseio latente por Jerusalém
Contrariando a narrativa amplamente aceita, alguns historiadores argumentam que a guerra não foi imposta a Israel, mas fora planejada com antecedência, ou pelo menos esboçada, como um plano de contingência à espera de um elemento detonador.
Seja como for, quase ninguém no país mencionava a ocupação explicitamente, e levaria anos até a maioria da população aceitá-la como fato – a maioria, mas não todos.
"Nunca realmente falamos a respeito, pelo menos não do jeito como a ocupação é discutida hoje", comenta Nehemia Zerachovitz, que lutou na Batalha da Colina de Munição, uma das campanhas mais ferozes dos seis dias de guerra.
"Já dois anos mais tarde, em 1969, começava a Guerra de Desgaste, portanto não tivemos realmente tempo, nem capacidade para debates morais. A sensação ainda era de sobrevivência", diz o educador e paraquedista militar veterano.
Zerachovitz admite que o desejo de ocupar Jerusalém já emergira antes da guerra, e talvez tenha influenciado os generais israelenses, conscientemente ou não. "Os mesmos generais que liberaram, anexaram ou conquistaram Jerusalém – como quer que se queira chamar – foram os que haviam fracassado em tomar esses territórios lá em 1948. Então, de certo modo, a guerra de 1967 começou exatamente onde a de 1948 tinha acabado."
O fracasso em tomar Jerusalém era tópico comum de discussão às mesas de jantar, recorda Zerachovitz. "Não se mencionava explicitamente nada sobre anexação, mas ela era uma ferida aberta para a geração dos nossos pais. Escreviam-se canções sobre o anseio por Jerusalém, mas nunca se falava de conquistas, em termos específicos."
Militares israelenses capturam combatentes egípcios e palestinos em 5 de junho de 1967
Militares israelenses capturam combatentes egípcios e palestinos em 5 de junho de 1967
Ruptura entre sociedade secular e sionismo religioso
Após a Guerra dos Seis Dias, no entanto, o clima mudou, sobretudo com a ascensão do sionismo religioso. "Muitos viam a vitória de Israel quase como um milagre bíblico", define Micah Goodman, autor e pesquisador do Instituto Shalom Hartman de Jerusalém.
"Foi aí que começou a ruptura na sociedade: a população secular desejava remover a ameaça à segurança sobre a cabeça de Israel, mas os círculos religiosos receberam uma espécie de validação divina para a cadeia de acontecimentos", diz.
De fato, terminada a guerra, pelo menos para alguns, estabelecer assentamentos israelenses na Cisjordânia se anunciou como um método declarado para tornar realidade o sonho sionista. Mas apesar da euforia, apenas duas semanas após o fim do conflito alguns ativistas e políticos já manifestavam ceticismo.
"Em tempos de descolonização global, quem aceitará isso?", questionou o então ministro da Justiça, Yaakov Shimshon Shapira, referindo-se à opção lançada pelo chefe da Defesa, Moshe Dayan, de manter na Cisjordânia um "regime autogovernado" pelos palestinos, "mas com controle militar israelense".
Paraquedistas israelenses diante do Muro das Lamentações, local mais sagrado de Jerusalém
Paraquedistas israelenses diante do Muro das Lamentações, local mais sagrado de Jerusalém
Opressão e terrorismo
Em 22 de setembro de 1967, o movimento de extrema esquerda Matzpen ("bússola", em hebraico) publicou uma carta aberta no jornal Haaretz, em que postulava: "Nosso direito de nos defendermos não nos concede o direito de oprimir outros. Conquista acarreta, em sua esteira, domínio estrangeiro. Opressão acarreta, em sua esteira, terrorismo e contraterrorismo."
O documento recentemente republicado pelo diário israelense não para por aí: "As vítimas do terrorismo são geralmente pessoas inocentes. Nós nos aferrarmos aos territórios nos transformará numa nação de assassinos e vítimas de assassinato. Abandonemos os territórios ocupados agora."
Ainda durante a guerra, alguns ministros ponderaram se Israel estava totalmente consciente das consequências de ocupar terras habitadas por quase 1 milhão de árabes, espalhados por diversos territórios.
"Digamos que nós conquistemos Jerusalém", argumentou o chefe da pasta da Educação, Zalman Aran, "quando vamos devolvê-la, e a quem?"
Numa reunião de gabinete em 19 de junho, o ministro sem pasta Menachem Begin instou os membros do Gabinete de Segurança: "Não digam aos americanos 'nós não temos uma solução', digam: 'Estamos procurando uma solução'." Uma abordagem que, segundo certos críticos, define o tom da diplomacia de Israel até hoje.
Tanques de Israel patrulham Jerusalém ocupada, em 10 de junho de 1967
Tanques de Israel patrulham Jerusalém ocupada, em 10 de junho de 1967
"Abismos da ocupação"
De 1967 até hoje, mais de 400 mil judeus se mudaram para os assentamentos além da "linha verde", a fronteira de armistício acordada entre Israel e seus vizinhos em 1948. Há mais de 350 mil judeus só em Jerusalém Oriental, além de cerca de 20 mil nas Colinas de Golã.
"Antes dos assentamentos, não aconteciam muitos choques entre árabes e judeus", conta Avi Berger, que era estudante secundário durante a Guerra dos Seis Dias. "Não havia um discurso real sobre a ocupação, porque todo mundo a vivia."
Recrutado em 1969, ele recorda: "Pessoalmente, eu vi um soldado dando cabeçadas num idoso palestino, ou um grupo de soldados sorrindo junto a um cadáver. Esses são abismos que qualquer ocupação acarretaria. Esse é o seu significado quotidiano, sobre o qual ninguém falava na época."
Como explica Zerachovitz, ondas de terrorismo posteriores fixaram entre os israelenses a noção de que "não há parceiro" para a paz. "Lá em 1967, as anexações eram vistas como o preço a ser pago para alcançar a paz. Mas de algum modo isso seguiu sendo a desculpa até hoje; só que nós ficamos mais gananciosos e sem disfarces."
Esperança de paz
A geração nascida bem depois da Guerra dos Seis Dias se lembra principalmente da primeira e da segunda Intifadas, os levantes palestinos iniciados em 1987 e 2000, respectivamente, assim como das operações militares frequentes. Mísseis lançados de Gaza são rotina diária para os israelenses que vivem perto da fronteira, e quase todos acima dos 21 anos lembram ter sido afetados de algum modo, pela guerra ou por um atentado terrorista.
Embora no discurso atual de Israel qualquer concessão em respeito a Jerusalém pareça inaceitável, parte da geração mais velha, que lutou em 1967, pensa diferente. "As pessoas que conquistaram Jerusalém naquela época são hoje em dia membros dos partidos mais de esquerda", afirma Zerachovitz.
"Acho que ainda há esperança. Meu pai veio para cá em 1933, porque queria um Estado judaico, não um Estado binacional, certamente não um onde uma minoria governa uma maioria. Há gente que vê que estamos nos encaminhando para um desastre. Eles é que são capazes de mudar a direção. E deveriam. Ainda não é tarde demais."

  • Data 10.06.2017
  • Autoria Dana Regev (av)
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sábado, 10 de junho de 2017

Fazendo História - Produção de recursos didáticos em História Moderna


Entre as produções avaliativas de História Moderna II, ministrada pela Profa. Ironita Machado no curso de História, foi solicitado aos estudantes a produção de materiais didáticos acerca do conteúdo. Suas produções ficam agora disponíveis à consulta.



Tema
Autores
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Bingo das Luzes
Bruna B. Eitelvein
Grupos 
Pensadores 
Questões 
Regras 
Conceito de Revolução (vídeo)
Vitória Comiran e Leonardo de Araújo
Visualizar 
Jogo de Conceitos
Bibiana Vargas e Marciély Benevenuto
Jogo da Memória
Alice Pandolfo Maia e Janaína Júlia Langaro
Jogo – Passa ou Repassa: Revolução Francesa
Jocelito R. A. de Camargo e Deividi A. Pires
Jogo – Perfil Histórico
Akira Fogaça e Renata Schilling
Tabuleiro 1 
Tabuleiro 2 
Perguntas 
Guia 
Jogo – Revolução Francesa
Mauricio Pedroso, Wesley Assis Junges
Contextualização - 
Livreto Movimento Iluminista
Ana Alice de Oliveira e Leonardo da Silva Conceição
 
Livreto Revolução
Alex Antônio Vanin e Roberto Biluczyk
Quebra Cabeça – Revolução Industrial
Caroline Broch e Larissa Henrique
 
Tabuleiro do Iluminismo
Aline Nizzola e Débora Cavalleri 
 Tabuleiro 
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